– Mamãe, quando eu estou com dor no pé eu tenho que ir no pedista?
– Não, você tem que ir no médico.
– E no dentista também?
– No dentista só se você tiver dor de dente.
– Ah… Então eu tô com dor de dente.
– Mamãe, quando eu estou com dor no pé eu tenho que ir no pedista?
– Não, você tem que ir no médico.
– E no dentista também?
– No dentista só se você tiver dor de dente.
– Ah… Então eu tô com dor de dente.
– Tia Keka, você tem filho?
– Não, ainda não tenho. Mas logo eu vou engravidar e ter um neném aqui dentro da minha barriga.
– Mas como é que ele vai entrar aí?
– (risada nervosa) O Tio Ander que vai colocar.
– Mamãe, eu estava na sua barriga?
– Sim, você estava.
– Mas como é que eu cabia lá?
– Você era um ovinho e foi crescendo.
– Um ovinho de galinha? E daí quebrou a casca?
– Não era um ovo de galinha. Você era um ovinho que foi crescendo e se transformando em um bebê.
“Tia Keka, eu gosto tanto de você que quando você ficar velhinha eu vou te dar bastante comida para você não morrer.”
Mamãe acabada no sofá, papai trabalhando ali do lado no computador e Heitor com a corda toda.
– Vamos bricar, mamãe?
– A mamãe está com dor de cabeça.
– Está com dor no pé também?
– Não.
– Então levanta, você pode andar, vem aqui brincar.
– Mamãe, eu não quero ser médico.
– Filho, você terá a profissão que quiser. Porque você está falando isso?
– Por que eu não gosto das pessoas.
– Que pessoas?
– Dos pacientes.