A mamãe queria que eu comesse maçã. Mas eu não queria de jeito nenhum. Virava a cara quanto a mamãe me oferecia.
Então ela me explicou que a maçã que eu como vai para a barriguinha, é digerida e as suas vitaminas vão para o meu corpo todo para eu ficar bem forte.
Então ela me deu um pedaço:
– Esse aqui vai para as suas perninhas, para você ficar com os músculos bem fortes e correr bem rápido.
Eu sorri e comi com vontade. Ela me deu outro pedaço.
– Esse aqui vai para o seu cérebro, para você ficar bem inteligente.
Comi feliz. Então eu perguntei, no pedaço seguinte:
– E esse pedaço, vai para onde?
– Esse vai para os seus bracinhos para você ficar bem forte e pegar coisas bem pesadas.
E a mamãe me deu outro pedaço e eu disse:
– E esse aqui vai para o meu pinto, para eu fazer xixi bem alto, lá no teto.
A mamãe riu alto e eu comi a maçã toda. Foi a primeira vez.
Eu estava com a mamãe no meu quarto de noite e ela disse:
– Filho, agora vamos dormir. Vamos chamar o pensamento do sono para entrar na nossa mente.
Gritei: Pensamento do sono! (…) Ele está perdido, mamãe!
– Filhinho, vamos chamar que ele vem.
– Olha, ele está vindo! Mas é só de brincdeirinha, né mamãe?
– É de verdade sim, mas não podemos ver o pensamento com os olhos. Mas podemos perceber que eles está na nossa mente.
Repeti: Pensamento do so…
Dormi.
Eu estava no colo da mamãe na hora de dormir. Então eu abracei ela e disse:
– Eu tô feliz, mamãe. Só tenho pensamentos bons na mente.
– Que bom, meu filho. Você deve ter sempre pensamentos bons na mente.
– Sai, sai, pensamento ruim!
– Olha filho, uma detoneira.
– Não é mamãe, você falou errado, é betoneira. Não pode falar errado.
– É, a mamãe falou errado, eu não sei todas as palavras.
– Eu sabo.
– Ah é? Você sabe? Então como é o nome daquele carro que está passando ali?
– Hummmmmmmmmm. Moto! (tinha um moto do lado do carro)
– Não, filho, aquele carro se chama Corsa. E como é o nome daquela farmácia ali na esquina?
– Droga Vaia (eu não falo bem o R).
– Viu, muito bom, essa palavra você sabia… Entendeu, nós dois estamos aprendendo as palavras. Nós não conhecemos todas elas.
Mamãe ficou perguntando tudo, a viagem toda para casa.
A mamãe disse que não estava muito bem.
– Porque, mamãe?
– Estou meio tonta, querido.
– Pode cair que eu seguro você.